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Certa
vez, escutei uma versão sobre a razão da diferença
empreendedora entre os EUA e o Brasil. A colonização
deles, estimulou o desbravamento do país. Lembra dos filmes
sobre a colonização do Velho Oeste? Onde quem chegasse
mais rápido e estivesse mais forte ficava com o que queria.
Isso estimulou o desbravamento, a busca do sonho. Aquilo era terra
de ninguém. Quem marcasse ficava.
Já a nossa colonização luzitana, disse que
tudo tinha dono. Que o Brasil era de Portugal, onde dividiram todo
o nosso país nas Capitanias ( que eram) Hereditárias.
Tudo era do Estado e tínhamos que trabalhar para ele. Ou
você era da realeza, ou súdito ou escravo. Quem tentou
tirar do Estado mórreu, como fala o Nérson da Capitinga.
Os Tiradentes, os abolicionistas, os Zumbis dos Palmares, mórreu
tudo
Acredito que esta análise tem uma certa lógica que
poderia explicar um pouco a nossa cultura enraizada em depender
das instituições. Quando era criança o sonho
dos meus pais, era que eu fosse funcionário do Banco do Brasil
ou militar. Pois desta forma, o meu futuro estava garantido, que
eu me aposentaria como gerente ou como capitão. Eles fariam
tudo por mim. A gestão militar também teve fator fundamental
em inibir iniciativas, pois martelavam em que era muito mais inteligente
e saudável (na opinião deles) depender e ser protegido
(Arghh!!) pelo Estado.
Só que de repente o Estado faliu. A forma do mundo fazer
negócio mudou. Hoje, você pode vender para todo o mundo.
É como se estivéssemos em um shopping. A velocidade
da informação faz surgir e faz fechar novas empresas
a cada dia. O emprego acabou.
A relação entre trabalho e remuneração
também. A forma como interagimos com a empresa é diferente.
Agora é, faz esta tarefa, eu lhe pago e tchau. Quando precisar
de você de novo, no mês que vem, eu te chamo, tá
bom? A participação em projetos será a principal
forma de contratação.
A globalização permitiu que soubéssemos o que
acontecia no mundo. É como se descobríssemos, que
nós, seres normais, podíamos jogar.
Quando conheci a Internet, percebi que podia! Que haviam me dado
ingressos para participar de tudo o que assistia nos filmes e lia
nos livros. Pois naquele momento, poderia conhecer tudo que estava
na rede. Que fazer um site era barato, que buscar informação
era fácil, que podia me comunicar. Na época, os que
detiam a informação tinham o poder, mas a globalização
acabou com isto, distribuindo-a para quem quisesse.
Acredito que o empreendedorismo tenha realmente se iniciado, com
o surgimento da informação para o grande público,
onde as pessoas começaram a perceber que não era preciso
ser endinheirado e formado nas maiores instituições
acadêmicas para empreender. Não era para qualquer um,
mas não era bicho de sete cabeças.
O grande problema deste início de atividade empreendedora
é o fato de acharmos que empreender é abrir empresas
e ter sucesso, sem ter que nos preparamos para isso. É a
falta de cultura. Também é compreensivo este posicionamento.
O boom da Internet mostrou que jovens em suas garagens conquistavam
o mundo. Que bastava ter uma grande idéia e peito para colocar
em prática. Além do fato das instituições
acadêmicas ignorarem completamente durante anos, a possibilidade
de abrir um negócio próprio. O tchan era entrar em
uma grande multinacional. Isso sim que era futuro.
Na minha infância tinha a percepção de que donos
de pequenos negócios ao meu redor (padaria, lanchonete, papelaria,
restaurante) eram pessoas que abriram estas empresas para sobreviver,
porque não tinham condições de entrar nas grandes
e prosperar até se tornar um executivo.
Existem cases incríveis onde o incentivo ao empreendedorismo
mudou a história. O escritor Sérgio Almeida conta
em seu livro "Gestão de Sonhos", uma entrevista
com Amyr Klink, sobre um trabalho nas Ilhas Faeroe, na Austrália,
onde as pessoas vivem na atividade pesqueira, os homens nos barcos
no mar e as mulheres na industria manufatureira de peixe. Nas escolas,
os jovens de 10 a 17 anos são ensinados sobre o seu modo
de vida. Sobre o que fazer quando forem trabalhar. Desta forma quando
estão no trabalho podem colocar na prática novas estratégias
pesquisadas.
Dois jovens de 18 anos foram premiados por revolucionarem a atividade
e por aumentarem a produtividade. Grande percentual dos peixes era
jogado fora, pois eram pescados dias antes no mar e chegavam à
fábrica já apodrecendo, e se voltassem logo, vinham
com pouca quantidade. Estes dois jovens criaram uma embarcação
de pesca, com um sistema de piscina embaixo do barco. Então,
os peixes eram mantidos vivos até chegarem. Apenas poucas
horas, separavam os peixes da industrialização. Estas
pesquisas só eram possíveis através do apoio
do governo. Já imaginaram quanto tempo seria necessário,
se só começassem a pensar nas soluções,
depois que entrassem no mercado de trabalho? É esta perda
que vivemos no nosso Brasil. O antigo país do futuro.
É incrível, ainda existem escolas de datilografia
e de torneiro mecânico no país. Estas profissões
não existem mais.
Acredito que a solução para o país, está
na evolução da educação, para que depois
possamos mudar o país pela educação. Hoje não
importa se o profissional sabe muito, mas se ele gosta e tem facilidade
para aprender. Na economia da informação o que vale
é o aprendizado que uma situação nova permita,
para que possa repetir algumas vezes, até que mude de novo.
O Estado é fundamental no estímulo ao empreendedorismo.
Sabemos que temos que mudar o ritmo das nossas atividades, para
gerar produtos e serviços de qualidade, exportar, etc. Porém
para se descobrir novas terras, precisamos de novos mapas. Devemos
fazer diferente do que tem sido feito.
Olha a carga tributária para abrir um novo e pequeno negócio.
Tentei legalizar uma empresa e fiquei abismado. A carga tributária
é muito alta, por isso que temos a economia informal tão
forte. É melhor ser clandestino, virar camelô. Conheço
lojistas que montam barracas na frente das suas lojas, para venderem
sem nota.
Não seria a hora de incentivos fiscais? De permitir a legalização
de uma empresa pela Internet e/ou em poucos dias? De oferecer bônus?
De criar rodadas de negócios? Do Estado informar que comprará
30% dos seus insumos apenas de pequenas empresas?
Ainda não li sobre como funciona nos EUA. Mas fiquei curioso.
Este artigo me desperto, vou pesquisar. Mas acredito que pelo menos
metade destas ações, ou outras semelhantes deve ser
feito.
E a velocidade como o mundo muda, cria o que chamo de "desemprego
estrutural". Quantas pessoas estão sendo desempregadas,
sem ter condições de se recolocar, pois não
são empregáveis. Tenho um amigo que é um excepcional
desenhista, utilizava a "régua T", fazia cada coisa
linda. Só que não aprendeu informática e foi
afastado do mercado por causa de softwares que fazem muito mais
do que ele fazia, mesmo se os operadores não tiverem o "dom"
e a arte, que ele tinha.
Para onde foi esta pessoa? Abriu um negócio próprio
para criar projetos. Pediu em empréstimo, comprou o tal equipamento,
matriculou-se em uma escola, aprendeu o software, ficou fera e foi
buscar clientes. Fechou a empresa 3 meses depois, vendeu o equipamento
pela metade do preço (pois estava usado), ficou endividado
e virou cobrador de ônibus. Por que isso aconteceu? Pois ele
não estava preparado para a gestão de uma empresa,
para analisar o mercado, para captar clientes. Ele só era
um grande desenhista, que teve que virar emprendedor. No Brasil,
a maioria dos casos é de emprendimentos que surgiram pela
necessidade e não por oportunidade. Sabe o que me preocupa
neste amigo? Que logo ficará desempregado de novo. Pois acredito
que roletas eletrônicas iram acabar com a profissão
de trocador. Orientei em tentar algo novo, ou virar motorista, pois
não deve dar para uma máquina dirigir o ônibus.
Além do fato de ser necessário, a destruição
criadora, isto é desaprender tudo o que sabíamos,
que era usado na prática, que funcionava, mas por mudanças
tecnológicas ou mercadológicas não servirá
mais. Antes uma metodogia era utilizada por anos, portando o "ROI"
(retorno sobre o investimento) era enorme. Hoje, quando tudo acontece
rápido, a depreciação da informação
é muito rápida. Desta forma, as empresas não
têm tempo de ficar reciclando constantemente os seus funcionários.
Assim , muitos ficam para trás.
Descobrimos a duras penas, que a única certeza é que
tudo mudará, Que não importa o quanto se sabe, mas
o quanto se consegue aprender e se ajustar.
E esta mudança, com o sumiço do emprego, obriga ao
tal emprendimento de desespero. Mas, gera um catástrofe,
pois em uma país, onde a micro empresa (menos de 100 funcionários)
é responsável por 99,3% dos estabelecimentos industriais
e comerciais, e 80% das empresas quebram nos primeiros 5 anos,
A metodologia educacional deveria formar profissionais que não
fossem meros repetidores de informações cunhadas no
passado, que se tornaram completamente ultrapassadas. Para se tornarem
facilitadores, promovendo o questionamento, reflexão e motivação
nos alunos em criarem um mundo melhor. Tenho certeza que o investimento
do empreendedorismo irá permitir o desenvolvimento da capacidade
de realização do nossos povo. Visto que as principais
razões de quebra das micros e pequenas empresas é
a total falta de preparo.
Precisamos de investimentos na educação, para permitir
que a educação funcione como "mola impulsionadora"
do desenvolvimento sustentável.
Hoje, sem estímulo somos o 5º país do mundo em
número de empreendedores, perdendo para países como,
México, Nova Zelândia, Austrália e Coréia.
Fala sério! Eles não tem a estrutura, o povo e a riqueza
que nós temos. Bem, talvez tenham políticos com melhor
visão.
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